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O (Anti)-Herói Brasileiro

 
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Autor Mensagem
Ricardo Hirata



Registrado: Domingo, 9 de Dezembro de 2007
Mensagens: 1
Localização: São Paulo

MensagemEnviada: Sex Fev 29, 2008 20:23    Assunto: O (Anti)-Herói Brasileiro Responder com Citação

Prezad@s!

Pensando sobre as potencialidades do Fórum e lembrando da fala do Gambini na inauguração sobre a possibilidade de utilizá-lo como um lugar virtual para criações coletivas, pensei no seguinte: não seria interessante re-colher imagens do arquétipo do herói na cultura brasileira? Via fórum pessoas do país todo poderiam contribuir com a riqueza e o colorido de seus símbolos regionais, tarefa praticamente impossível em termos de um único grupo. Por exemplo, não faço idéia do imaginário e do simbolismo do (anti)-herói da região Norte, Sul, etc. Seria como uma expedição virtual "Em busca do (Anti)-Herói Brasileiro". Logicamente, não se trata somente da figura histórica, mas das nuances características da subjetividade desses personagens. Algo como uma possibilidade de inspecionar "in loco virtualis..rs" os meandros da tecedura dos fios, urdidura, nós e tramas que esse arquétipo, tão caro aos junguianos, enreda em complexos culturais de nosso país multi-colorido. "Curiosamente", a figura do Cap. Nascimento, do filme Tropa de Elite (laureado em Berlim), foi escolhido recentemente como herói nacional e várias crianças desfilaram no Carnaval vestidas com figurinos "à la Bope". É de fazer cozinhar nosso "lamen analítico", não?...rsrs. Enfim, quem sabe ao final poderíamos registrar nosso esforço coletivo numa publicação do tipo livro de arte? ...hummm..yumi!! Abraços!! Hirata. :wink: [/b]
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Arnaldo Motta



Registrado: Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2007
Mensagens: 18
Localização: São Paulo

MensagemEnviada: Seg Mar 24, 2008 11:36    Assunto: Responder com Citação

Caro Hirata
a sua proposta é bastante interessante e vinha pensando sobre ela, cozinhando meu lamem analítico cerebral imaginal. Coincidentemente, ou melhor sincronicamente, esses dias vi na tv a propaganda do tribulnal eleitoral que fala sobre hérois nacionais. Alí aparecem Ulisses (não o de Homero, mas o Guimarães), Betinho, Vinícius de Moraes, Henfil, Wladimir Herzog e alguns outros que me escapam.
Penso na figura do herói como aquele que enfrenta desafios em busca de uma mudança que tem um caráter supra individual e coletivo.
Alguns dos citados pela propaganda apresentam esse movimento, embora uns mais que outros. Muitos conseguiram manter a coerência e a dignidade apesar do passar dos anos, aspecto que contribue para desgastar a maioria do heróis de ocasião.
Sobre esses penso em particularmente duas figuras recentes no panorama da política nacional: Fernando Collor de Mello, o caçador de marajás com o punho em riste (produto que eu nunca comprei) e Luís Inácio Lula da Silva, o líder das greves do ABC no final do anos 80, discursando no estádio de Vila Euclides (personagem que recebeu minha admiração por muitos anos).
São trajetórias com espectros políticos distintos, mas com percursos semelhantes em algum ponto.
Colocaram-se como promessas de mudanças, mas não conseguiram dar conta daquilo que haviam propalado como tarefa heróica.
O primeiro caiu tão rápido como surgiu, não chegando sequer a cumprir seu mandato presidencial. O segundo tem se mantido no cargo por mais tempo, embora sua tarefa heróica tenha se predido, possivelmente no momento em que subiu a rampa da Esplanada pela primeira vez.
Com isso, o nosso Brasil se mantém na liderança da desigualdade social, aspecto que nos caracteriza desde os nossos tempos de colônia. Sim, a situação da desigualdade social no Brasil é, proporcionalmente, a mesma já a quase quinhentos anos.
Tantas promessas de mudança, tanta persistência dessa mesmice que me agride profundamente.
As vezes paro e me pergunto: e agora José?
Cazuza cantou: "meus heróis morreram de overdose"
Com o fracasso de Lula, digo que esse meu ex herói morreu de overpoder.
Aí me lembro do filme "Estamira", cuja personagem possui uma dignidade em meio ao lixo sombrio de nossa sociedade e, embora ela não proclame nenhuma revolução coletiva, sinto admiração pela personagem. A sua sobrevivência faz dela uma heroina, ou talvez uma anti-heroina, já que a sua luta é por manter-se viva. O que não é pouco, nesse Brasil campeão da desigualdade.
Órfão de heróis, como por vezes me sinto, olho para o miúdo e para as frestas e por vezes enxergo algumas luzes. Porém, ainda quero poder participar de um país mais justo e equilibrado, mas já desisti dos heróis eleitos pelo voto. Talvez por isso a propaganda do tribunal eleitoral não me sensibilize quanto a sua finalidade.
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Celia Brandão



Registrado: Terça-Feira, 27 de Março de 2007
Mensagens: 22
Localização: são paulo

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 16:10    Assunto: Responder com Citação

Hirata e Arnaldo

Que bom ver o movimento do forum novamente! O tema é instigante e a idéia de uma obra coletiva me agrada muito desde a proposta do Gambini. Creio que em nosso momento histórico carecemos de um ideal coletivo e de uma ética coletiva. Supomos de forma equivocada que a tranquilidade social virá de sanções jurídicas. A trajetória do herói é a da própria individuação. No individualismo em que vivemos perdemos paradoxalmente o contato com nosso ideais. As Instituições deixam de nos representar e passam a ser instâncias do poder. Logo, não temos mais nos heróis , os protagonistas de nossa trajetória de individuação.
Penélope esperava por Ulisses e isso lhe cabia como identidade. A condição feminina também mudou e hoje a mulher também sai em suas viagens em busca de sua identidade. Como se sente esta heroína em um mundo patriarcal onde os heróis reconhecidos e citados são homens?
De forma compensatória à perda do sentido de identidade, nos associamos às idéias de um suposto líder com quem estabelecemos um vínculo de natureza fusional , através do qual visualizamos uma possibilidade de individuação. Esse fato pode ilustrar também a crise nos casamentos e nos vínculos. Mas todo herói deve viabilizar à consciência coletiva um caminho de desenvolvimento. talvez o herói que procuramos para o novo milênio seja porta-voz de uma nova forma de relação entre Eros, poder na busca de um resgate do sentido de individualidade. Abraços. Celia
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