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EXISTE UMA PSICANÁLISE JUNGUIANA?

 
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freitag45



Registrado: Domingo, 18 de Novembro de 2007
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MensagemEnviada: Sex Fev 29, 2008 21:21    Assunto: EXISTE UMA PSICANÁLISE JUNGUIANA? Responder com Citação

Na França publica-se CAHIER DU PSYCHANALISE JUNGUIENE. Será que o corpo teórico da Psicologia Analítica poder-se-ia denominar de Psicanálise Junguiana? Por que sim? Por que não?
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Arnaldo Motta



Registrado: Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2007
Mensagens: 18
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MensagemEnviada: Qua Mar 05, 2008 12:39    Assunto: Psicanálise junguiana? Responder com Citação

Caro Freitas
a sua pergunta traz a tona um tema atual. Eu tenho ouvido de vários colegas e também em alguns congressos o termo que você apresenta.

Pergunto, porém o que leva as pessoas a buscarem uma nova nomenclatura para a psicologia analítica?

Seria fruto de uma maior aproximação entre psicanalistas (genuínos) e junguianos? Pode ser. Tal movimento pode ser observado em diversos locais, e tem um dos seus centros na Inglaterra, onde a interlocução dos junguianos com a psicanálise é intensa.

Poderia ter origem em uma tentativa de aproximação com o público leigo que tem dificuldade de entender as “sutilezas” que levaram ao rompimento entre Freud e Jung? Para essa parcela da população o termo psicanálise é mais conhecido e o seu uso poderia facilitar o acesso aos conceitos junguianos. Além do que não são poucos os que usam Freud para falar de Jung, nem que seja para fazer o contraponto.

Dentro das duas possibilidades acima, a adesão à nova nomenclatura poderia parecer pertinente, porém corremos o risco de cair em uma indiscriminação.

Não pretendo abordar toda a polêmica entre a psicanálise e a psicologia analítica, pois não cabe na proposta do Fórum. Gostaria, entretanto de trazer algumas passagens que comento em artigo “Freud e Jung, sexualidade e conflito” disponível neste site.

Ali temos a seguinte fala de Jung:
“Nossas considerações mostram que o termo ‘libido’, introduzido por Freud, de modo algum está isento de conotação sexual, mas que uma definição exclusiva e unilateralmente sexual deste conceito deve ser rejeitada.... Já o simples fato de ser impossível que a totalidade dos fenômenos psíquicos seja derivada de um único instinto proíbe uma definição unilateral da libido.” (1986, § 185).
[E em função disso]
“Propus que a energia vital, hipoteticamente admitida fosse chamada de ‘libido’, tendo em vista o emprego que tencionamos fazer dela em psicologia, diferenciando-a, assim, de um conceito de energia universal e conservando-lhe, por conseqüência, o direito de formar seus próprios conceitos” (Jung, 1984, § 32).

Freud responde:

“A modificação de Jung, por outro lado afrouxa a conexão dos fenômenos com a vida instintiva; e além disso....é tão obscura, ininteligível e confusa a ponto de se tornar difícil assumir uma posição em relação a ela” (Freud, 1974, p.74).
Continua afirmando que
“nossas [dos freudianos] concepções, desde o início foram dualistas.... A teoria da libido de Jung é, pelo contrário, monista..” (1976, p. 73).

A polêmica é extensa e foi retomada por Jung mais de 40 anos depois quando ele diz:
“Olhando para trás, posso dizer que sou o único que prosseguiu o estudo dos dois problemas que mais interessaram a Freud: o dos ‘resíduos arcaicos’ e o da sexualidade. Espalhou-se o erro de que não vejo o valor da sexualidade. Muito pelo contrário, ela desempenha um grande papel em minha psicologia, principalmente como expressão fundamental – mas não a única – da totalidade psíquica”. (1988, p. 150).

Ou seja, ele valoriza a sua ligação com a psicanálise, mas não deixa de reafirmar exatamente o que disse no momento de sua ruptura com Freud.

Se um dos esteios da psicanálise é o seu conceito de libido tal como formulado pelo seu criador, pergunto: é legítimo ignorar discriminação feita por Jung para justificar o seu conceito de libido, outra referência fundamental de sua obra?

Perder de vista esses dados históricos, para aproximar essas duas vertentes da psicologia profunda, é passá-las por um processo de homogeneização. Pode ser que isso ajude na aproximação entre o grande público e a obra junguiana, mas o risco de indiscriminação e perda de identidade dos junguianos estão presentes em tal proposta.
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